sexta-feira, 5 de abril de 2019

Luz de ilusión

Me queda la esperanza
Llena de promesas
Lejana y limpia
De este mundo agonizante

Que me guarda del sombrío
O temeroso camino oscuro
Que además a las espaldas golpea
A cada paso,  que adelante sigo

No más que mi silencio hecho
No más que mi corazón seguro
Me hizo vivir distante
A ver todas las heridas marcadas

¿Y cuanto tiempo más
Esperar la llegada
De todo lo que deseo ser?

¿Cuanto tiempo más
Tener la luz de la ilusión
De lo que se ha dejado tras el horizonte?

A. Vicente

sexta-feira, 29 de março de 2019

Caiando o espelho

Sobramos, restamos, faltamos, ficamos.

Esquecidos em memórias distorcidas

Entre os nós que nós atamos frouxamente

Como naus inseguras num porto sob tempestade

E por assim suspeitar, deduzindo ser breve a existência

Nossos passos acabam por não necessitar serem medidos

Nem notados, nem apagados, nem adulterados

E cá nas cavernas adornadas da nossa passagem

Permanecem sombras de epitafios tolos...

. . . Tão tolos quanto os amores vertidos nas lágrimas

Que profanam a maquiagem do lar caiado e raso!

Impedidos, empurrados, impelidos, seduzidos

Fomos induzidos a crer que no refúgio do silêncio

Debateríamos com os ecos nossos sonhos abreviados

Que repousam de costas à superfície dessa terra

Que repousam de costas à superfície dessa rasa e caiada terra

quinta-feira, 21 de março de 2019

Imperfeição perfeccionista

Imperfeição perfeccionista
Que agudiza a lentidão do tempo
Que retrocede do futuro
Retorcendo o passado em linha reta
Nesse labirinto sem paredes
Que me cansa o cansaço

Imperfeição perfeccionista
Antagonista de si mesmo
Espelhado por detrás do espelho
À espera do eco do silêncio
Que grita, uiva, sussurra, geme
E se traduz na lágrima morta, reabsorvida...

Imperfeição perfeccionista
Selecionando erros certos
Adulterando atos, abreviados por desejos
Tão tênues, rasos, desapercebidos
Sob meus passos rapidamente ávidos
Por cessar a busca desse horizonte sem destino
Sem caminho, sem absinto, sem pontes
que não me levaram à saída alguma.

Perfeição imperfeita
Sem sede e sem água
Sem túnel para apagar a luz de seu escuro
Que me motiva insistir acertar
O que me faz refazer o que devo até negar
Por errar os erros, mirando as maravilhas
Das dúvidas de todos meus passos reunidos
No trajeto dissimulado
Que me leva a carregar sobre as costas
Esse relógio sem ponteiros
Preparado, construido, forjado, planejado...
... Milimetricamente disposto para pesar sobre minhas forças nulas
Me torno incapaz de deduzir tal hora poder parar, estacionar, se jogar, voar, mergulhar, pôr os pés no chão arrastado......

... Para enfim poder gritar bem alto
Sem ter acesso ao ar para dissipar
O que guardo em segredos
Para que finalmente perceba sob certeza
Que não há nada nem ninguém além do espelho
Que reflita os ponteiros ocultos
No avesso do desacerto
Programados para acelerar o tempo para trás
Para que eu possa matematicamente falhar em presumir
Que meus erros foram acertados para ocorrer
Sem que eu perfeitamente pudesse me render
Imparcialmente desnudo de meu querer
Para poder indiscutivelmente descansar o cansaço
Sem me abster de sorrir
Sem precisar aprisionar
Uma lágrima solitária sequer...

... Esquecida, lembrada, adormecida, enganada, vívida,
Límpida,, sincera,
Com uma hora não mais marcada
Para simplesmente poder correr
Sob a timidez deste rosto desértico, anônimo, nulo
Cabisbaixo e suado
Para despistar que somente necessitava liberar
A fúria duma lágrima de alívio
Por não acreditar ter apenas vivido
Para perceber que existir não é o bastante
Para poder sobreviver mais além do horizonte que quis deixar para trás.

Que somente quis deixar para trás.